O Legado Não Esperado
A Copa do Mundo de 2018 trouxe para os brasileiros más lembranças e uma onda de desmotivação e desesperança em relação ao campeonato. Além do memorável sete a um, os problemas políticos que pairam sobre o país não deixam com que a população se entusiasme como nos anos anteriores. Nas ruas da Zona Norte do Rio de Janeiro, os repórteres Matheus Chagas e Natália Moreira conversaram durante a semana que antecedeu a competição com transeuntes sobre suas recordações da época em que o campeonato foi sediado em nosso país.
O alto valor dos ingressos foi o assunto principal das entrevistas. A entrada de custo menos elevado correspondia a R$30, sendo esse o valor da meia entrada da categoria 4 para os jogos da fase de grupos, e o mais elevado era de R$1.980, equivalente a inteira da categoria 1 para a final do torneio. Esses valores individualmente não parecem tão altos nos dias de hoje, com todos os reajustes de salário ao longo desses anos, mas devemos considerar os dados referentes ao ano de 2013, que foi o ano em que os ingressos começaram a ser vendidos. O salário mínimo vigente da época era de R$678, então a entrada de valor mais em conta era relativa a 4,2% desse salário, e o mais alto correspondia a 292% do mesmo.
Com a pesquisa feita nas ruas, apenas a professora e jornalista Maria João afirmou ter assistido a um jogo da fase de grupos. A maioria dos entrevistados seguiu o padrão de resposta do Fábio, assistente social, que disse que não conseguiu ir aos estádios em nenhum dos jogos.
Em muitas regiões do país, elefante branco é uma expressão usada para uma posse valiosa da qual seu proprietário não pode se livrar e cujo custos, tanto o de obtenção quanto o de manutenção, são desproporcionais à sua utilidade ou valor. Em situações políticas, o termo é utilizado para se referir a obras públicas sem utilidade. Os altos investimentos nas superfaturadas Arenas Padrão-Fifa são exemplos de elefantes brancos deixados pela competição, pois causaram um efeito contrário ao que se vendia pela entidade antes da Copa do Brasil. Inúmeras propagandas prometiam prosperidade, desenvolvimento e melhorias nos diferentes setores da economia do país, porém, quatro anos após o fim do evento, ainda é possível encontrar efeitos negativos das elitizações dos estádios e suas altas taxas de manutenção. Obras realizadas em 12 capitais que sediaram o torneio demoraram mais tempo para serem concluídas do que o previsto, causando transtorno de locomoção por diferentes lugares de território nacional, considerando que projetos como o BRT, por exemplo, ainda não foram totalmente encerrados.
Coautor: Matheus Chagas
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